O que ver em Santiago: oito locais que não pode deixar de ver.

Rebeca Cordobés

VEN A GALICIA

Peregrinos na praça do Obradoiro, em Santiago
Peregrinos na praça do Obradoiro, em Santiago PACO RODRÍGUEZ

De monumentos mundialmente conhecidos até lugares quase segredos arrodeados de lenda.

29 jul 2021 . Actualizado a las 17:23 h.

Sabina falava de Madrid e dos provérbios espanhóis de Roma. Mas a celebração do Xacobeo lembra-nos que o destino de todos os Caminhos é Santiago. E o seu cruzamento, a praça do Obradoiro, um lugar de visita obrigatório se viajar até à capital da Galiza. A cidade reúne ruas, parques e monumentos que todo o peregrino e turista deve conhecer. Mas também guarda locais secretos do conhecimento apenas pelos autóctones ou os estudantes que ali encontram um segundo lar. Para sentir a autêntica essência compostelana, há oito lugares que não podes perder.

Pórtico da Glória

Pórtico da Glória, na Catedral de Santiago
Pórtico da Glória, na Catedral de Santiago XOAN A. SOLER

Santiago cresceu à volta da sua catedral. O epicentro da cidade e destino de todos os caminhos guarda incontáveis tesouros patrimoniais no seu interior. Do sepulcro do Apóstolo até o botafumeiro. Com o olhar posto no Xacobeo 2021, realizaram-se trabalhos de restauração em muitos deles. Mas o ponto fulcral foram os do Pórtico da Glória.

A obra do mestre Mateo já não é a mesma que naquele Xacobeo de 2010. Após anos oculta por detrás de uma lona, as figuras que formam o pórtico são mais parecidas com as que o escultor criou há oito séculos. A cor voltou a tingir as túnicas dos santos, as suas fações redefiniram-se e os buratos do tempo sobre a pedra foram preenchidos. Tanto faz se alguma vez passou sob os arcos que dão acesso à catedral ou se for a sua primeira vez em Compostela. O Pórtico da Glória é novo para todos.

Praça do Obradoiro

Praça do Obradoiro, em Santiago
Praça do Obradoiro, em Santiago xoan a. soler

Os muros da catedral são o brasão protetor do seu património. Mas o seu exterior é também uma obra de arte em si mesmo. A fachada principal, que foi construída com o objetivo de proteger o Pórtico da Gloria, é a imagem mais reconhecível de Santiago. A melhor maneira de desfrutar de cada um dos seus detalhes é vê-la desde a Praça do Obradoiro.

Este canto da capital galega é também o final do Caminho. O cruzamento de todas as rotas, pessoas e línguas que decidem seguir o trajeto das setas amarelas. As suas pedras servem de cama para os peregrinos que chegam, entre exaustos e eufóricos, à catedral. Por isso, visitar o Obradoiro é a melhor maneira de sentir a essência de Santiago.

Fonte dos Cavalos

Fonte dos Cavalos, na praça de Platerías
Fonte dos Cavalos, na praça de Platerías PACO RODRÍGUEZ

A poucos metros do Obradoiro está a Plaza de Platerías. É a única das quatro praças que circundam a catedral que possui uma fonte. A conhecida como fonte dos Cavalos é um dos postais típicos de Santiago. É um dos lugares imprescindíveis para se visitar na cidade, para tirar uma fotografia e também para ver a fachada de Platerías.

Rua do Franco

Rua do Franco, em Santiago
Rua do Franco, em Santiago PACO RODRÍGUEZ

Santiago é sinónimo de história. O seu passado medieval é palpável em cada uma das ruas que formam o seu centro histórico. Passear por qualquer uma delas permite-nos ligar a essa cidade que começava a acolher peregrinos e por sua vez perceber o ambiente cosmopolita respirado hoje através de todos os sentidos. O tato das suas pedras, o cheiro das suas marisqueiras, o som da agitação dos turistas, a vista da catedral, o sabor do bolo de amêndoa oferecido nas suas pastelarias...

Se houver uma rua que junta os elementos mais compostelanos é a Rua do Franco, que liga a Alameda com o Obradoiro. O seu percurso recolhe lugares representativos do culto a Santiago, como é a fonte do Apóstolo. Também do mundo de peregrinos e turistas criado em torno da catedral, como são as lojas de lembranças ou os restaurantes. Mas, além disso, alberga locais ligados à vida universitária, como o Colégio de Fonseca ou os bares que formaram a rota do vinho mais famosa entre os estudantes galegos, o «Paris-Dakar».

Árvore dos namorados

Árvore dos namorados
Árvore dos namorados carlos lópez

Essa vida universitária que encheu as ruas empedradas de jovens, deu também lugar a lendas sobre temas como os estudos ou o amor. Uma destas crenças vira à volta de um enorme eucalipto de 45 metros que habita na Alameda. E literalmente gira, porque se diz que os casais que querem se casar têm que andar em torno de seu tronco de oito metros de diâmetro. A «árvore dos namorados» tem ainda, uma das melhores vistas da catedral. Situado no passeio da Ferradura, observa o coração de Santiago de há nada mais, nada menos, que 120 anos.

Estátua das Marias

Estátua das Marias, na Alameda de Santiago
Estátua das Marias, na Alameda de Santiago Sandra Alonso

Também na Alameda encontra-se um dos símbolos compostelanos por excelência: a estátua das Marias. Uma escultura que homenageia duas vizinhas de Santiago que sofreram represálias durante a ditadura. Mesmo que a sua história não seja muito conhecida fora da cidade, é raro o turista que não leva a sua imagem para além das suas fronteiras. O colorido, a localização e a posição das duas mulheres, convida a tirar uma foto com elas.

Parque de Bonaval

Parque de Bonaval, em Santiago
Parque de Bonaval, em Santiago XOÁN A. SOLER

Santiago conta com numerosos espaços verdes que contrastam com o cinzento dos seus edifícios e das suas calçadas em pedra. O parque de São Domingos de Bonaval destaca-se de entre todos eles. Qual o motivo? Tem um elemento que raramente se encontra nestes espaços: nichos murados. Os terrenos onde estão situados pertenceram a uma ordem religiosa. Nomeadamente, ocupa o que foi a horta, bosque de carvalhos e o cemitério do convento.

Caminho do rio Sarela

Caminho do rio Sarela, nos arredores de Santiago.
Caminho do rio Sarela, nos arredores de Santiago. MARGA MOSTEIRO

Nem tudo serão ruas de paralelepípedos, monumentos ou parques urbanos. Os arredores de Santiago possuem enclaves naturais perfeitos para se perder ou enfrentar o calor do verão. Uma boa opção é ir até o rio Sarela, que margina sua orla por uma passarela de terra e madeira. A sombra das árvores e a umidade do fluxo criam ao seu redor um ambiente repleto de paz e tons verdes.